Jornalismo sobre cannabis – é isso que o Hempadão faz. Na busca por informação conheci o Fábio Nero Scolari, um cultivador que hoje em dia é autosuficiente através de lâmpadas de LEDs. Vixi… se muita gente não saber que existe essa possibilidade – de se cultivar maconha e não precisar comprar do traficante – imagina que isso é possível com luzes de LED. Entenda um pouco mais desse universo no ConverSativa de hoje:

1) Sua primeira experiência com cultivo foi direto com LED? Se sim, como tem sido? Se não, como foi a transição?

Salve galera da hempada! Maior satisfação colaborar com essa larica de informação. Então, não comecei meu cultivo direto com o LED. Eu comecei com as fluorescentes, com aquelas CFLs gigantes de 240 watts e depois, com um pouco mais de experiência, percebendo que dava pra melhorar meu rendimento e qualidade, resolvi separar parte do meu orçamento para investir em um novo setup para o grow de Flora. Acabei optando pela facilidade do LED ao invés de toda parafernália que uma HPS (lâmpada de vapor de sódio) exige. Moro no Rio, aqui o calor não perdoa, e como a emissão de calor de um painel de LED é mínima, escolher essa tecnologia foi fácil.

2) Há quanto tempo você cultiva? E qual é o seu setup atual?

Eu tenho apenas um ano e cinco meses de cultivo. Tenho muito que aprender ainda. Eu, que só havia plantado feijão no algodão como experiência de escola, acabei descobrindo esse mundo fantástico que é plantar cannabis.

Atualmente tenho dois setups (vegetativo / floração) divididos em uma estufa de 80 x 80 x 180 cm. Devido a falta de espaço para ampliar e pensando num perpetual, tive que dividir a estufa em dois grows. No grow de Vega tenho uma CFL de 240 watts de espectro azul e uma fluorescente de 65 watts que são mais que suficiente para atender o espaço, ligadas no 18/6. Pra Flora tenho um painel Lighthouse Hydro BlackStar Chrome de 270 watts LED Grow Light FSF com 90 LED's de 3 watts cada. Para a exaustão tenho um exaustor de banheiro capaz extrair 280 m³ de ar, o quê é suficiente para dar conta dos dois grows.

3) Hoje em dia você é auto sustentável com seu grow?

Sim! Posso dizer isso com o sorriso escancarado. Não vou dizer que foi fácil, mas consegui. Até me declarar auto sustentável passei por alguns problemas, normais pra quem está começando, e hoje consigo colheitas a cada dois meses, as vezes menos que isso. Depois do setup montado, o negócio foi acertar na 'logística', que hoje o pote não para mais vazio.

4) Qual principal dica você tem para o pessoal que está na dúvida entre começar a plantar ou não.

Acho que se a pessoa está pensando em plantar já é um começo. Costumo brincar dizendo que o melhor fumo vem da sua primeira colheita. É uma sensação muito boa.
Se ainda tem receio de adiquirir sementes gringas, comece pelas de prensado mesmo. Eu sei que nem todos tem condições de montar um setup pra iniciar seu cultivo, não só no financeiro, mas também devido a diversos outros fatores, um deles é a família, mas posso dizer que dá pra começar com pouco, muito pouco. Dá pra ser na guerrilha mesmo, que é achar um matagal próximo à sua residência e sem querer, deixar cair uma semente por lá e de vez em quando ir dar uma olhada pra ver o progresso. Tem cultivo no Outdoor em vasos ou plantadas no quintal e o cultivo Indoor, que vai desde o PC Grow – isso mesmo, tem gente que planta dentro de gabinete de computador –, estufas preparadas para o cultivo, armários ou guarda roupas desativados até ao grow montado com compensado. Já vi malandro plantar em geladeira velha. Então, se você tem condições, motivos para começar não faltam. Posso garantir que, com pouco, o quê vai trazer o sucesso de uma colheita é a sua dedicação e estudo, muito estudo.

5) É verdade que o Led é menos agressivo à conta de luz? Vale a pena o investimento?

Bom, isso é quase uma mentira. A verdade é que se eu tenho um painel de 270 watts eu não vou pagar menos por isso. Eu vou pagar o consumo equivalente à quantidade de watts desse painel, seja ele de 90, 180, 270 ou 600 watts. O motivo de muitos acharem que o LED é mais econômico é que um painel de 180 watts pode chegar a equivaler a uma HPS de 400 watts, e é aí que entra a economia. Não vou entrar na discussão de qual lâmpada é melhor, até porquê eu nunca cultivei com lâmpadas de vapor, mas é fato que a eficiência medida pela quantidade de luz, faz o LED sair na frente e sim, vale a pena o investimento. É muito menos dor de cabeça. Só o fato de não ter que se preocupar com a temperatura já vale muito. É só ligar no timer e pronto.

Um painel de LED é montado para despejar sua eficiência somente nas faixas de luz que a planta realmente necessita e isso traz um ganho muito grande. Mas o investimento é válido se for optar por painéis de qualidade. Esses xinglings vendidos por aí, sozinhos, são um desperdício de dinheiro.

6) Qual suas strains favoritas?

Pergunta difícil essa, ehm?! Já tive a oportunidade de experimentar algumas e hoje tenho no meu perpetual três strains. Tenho a Moby Dick, a Jack Herer e a O.G. Kush, e ainda tenho a Tegerine Dream e a White Window nos meu planos. Já passaram pela minha estufa a Red Cherry Berry, Northern Light, Skank #1, Top 44... é muita coisa, muita viagem essas paradas, mas meu destaque vai para a Jack Herer que começa com uma onda meio chapante, corporal, e que depois vem com aquela onda cerebral clara e eufórica. Vale muito!

7) Obrigado pela participação! Aproveite esse espaço para falar com os leitores que chegaram até aqui...

Acho que é dever de todo maconheiro crescer como homem. Que esse lance de revolta e de esfregar na cara da sociedade que sou um maconheiro não ajuda muito. Tudo que queremos é conquistar o que almejamos com respeito. As coisas por aqui no Brasil são meio complicadas, certo? Muita hipocrisia, preconceito e desinformação que só tornam as coias mais difíceis. Conheço o Hempadão há dois anos e aqui encontrei muita informação e sei que aqui é uma boa fonte para ser divulgada para os amigos. Divulguemos então muita informação que aos poucos conseguiremos fazer que muitos caretas mudem de opinião.

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